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    Cinderela (2005) é um projecto que engloba um acto performativo, um grupo de desenhos utilizados como instruções e estudos para o registo documental, e uma pintura prévia às imagens registadas.
    Cinderela procedeu de uma imagem seminal: levantar o próprio corpo sem um ponto de apoio, suportando o peso com a sua força. Da história original de Perrault, Cinderela apenas manteve duas referências: um luxuoso coche que de repente se transforma num objecto banal, e a ocultação dos pés (a origem do conto é oriental, e está associado ao aspecto mais fetichista do atrofiamento do pé).
    Pedi a uma jogadora profissional de voleibol — alguém acostumado ao esforço de impulsionar o próprio corpo — que, descalça, se pusesse num bacia e se erguesse a si mesma, erguendo a bacia que ocupava. Durante cerca de uma hora, tentou levantar-se e suportar o seu próprio peso, numa espécie de dança imóvel cujo esforço se desenvolve como um puro jogo mental. Os movimentos realizados foram quase imperceptíveis, como se nenhuma acção estivesse a ocorrer. E, no entanto, todo o processo implicou uma força continuada, com momentos de pausa que não se distinguiram dos momentos de esforço, excepto na respiração. Foi uma sequência sem assimetrias, sem distinções entre o princípio e o fim, sem uma conclusão possível que não fosse o abandono, já que a acção apenas podia ser interrompida, nunca terminada. Tratou-se de uma acção, por definição um objecto em constante transformação, que não se distinguiu da imobilidade e da imagem pictórica.
    As imagens foram registadas na sala de ensaios e dança do antigo Instituto de Reinserção Social para Raparigas, em V. N. Gaia.

 

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Cinderela, 2005 | DVD, loop, 15'.
Vila Nova de Gaia: Antigo Instituto de Reinserção Social para Raparigas

 

 

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